quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Se eu fosse homem...


Eu me considero uma pessoa bastante musical. Sempre fui daquelas que desde pequenininha ouvia os disquinhos (isso, na minha época era disco mesmo) de história infantil e viajaaaaaava enquanto ouvia o príncipe falando pra Rapunzel jogar as “suas louras trancas”. Achava lindo e nenhum pouco penoso pra pobre da Rapunzel, que teria que agüentar o príncipe só com a forca do cabelo (que shampoo milagroso era esse, gente?!). Amo música, mas a verdade é que raramente me pego refletindo sobre as letras. O que me prende mesmo é a melodia.

Esses dias, no entanto (ui!), estava ouvindo o novo single da Beyoncé pela qüingentésima (ui!²) vez e parei pra pensar: e se eu fosse homem? Que tipo de homem eu seria?

Desde menina eu sempre tive a impressão de que a vida (como se eu entendesse muito da vida naquela época...) seria muito mais fácil se eu fosse menino. Sempre foi muito complicado ser mulher, pensa bem... Antigamente as mulheres não opinavam sobre nada, não escolhiam o próprio marido, não podiam votar... Depois resolveram se liberar, queimaram uma porção de sutiãs, descobriram o poder milagroso dos anticoncepcionais e foram incorporadas ao mercado de trabalho. Mal sabiam elas que acumulariam mais ou menos umas 399 funções, pobrezinhas... Além da questão social, ainda tem os desconfortos físicos: tem coisa mais chata que menstruação, celulite e depilação? E gravidez, então? Ta, é lindo, é meu sonho, mas deve ser péééééééssimo, fala sério! 9 meses com aquele peso todo ali, pressionando sua bexiga!

Agora, vou chegar ao cerne (ui!³) da questão: ainda hoje é muito mais fácil ser homem do que mulher, quando se trata de relacionamentos. Homens e mulheres definitivamente são criaturas completamente incompatíveis. Agimos diferente, pensamos diferente, sentimos diferente. É claro que há exceções – cada vez mais raras – mas o homem é um ser naturalmente insensível. Não ruim, mas insensível. Até quando se importa, o homem causa dor e sofrimento (vide o príncipe totalmente sem noção da Rapunzel). A mulher, não; a mulher é solidária, é altruísta. Se fizer sofrer, sofre junto. Se eu fosse homem, a primeira coisa que eu faria seria aprender a ouvir. Se tem uma coisa que mulher gosta de fazer, é falar; a mente feminina não é nada difícil de se desvendar, é só prestar atenção.

A segunda coisa que eu faria, seria aprender a me abrir. Os homens reclamam que mulher fala demais, justamente porque falam de menos! Não há mal nenhum em se abrir, em compartilhar, em deixar de ser um completo mistério.

A terceira coisa seria amar com o corpo inteiro. Amor de boca não vale. De que adianta dizer “eu te amo”, se não liga, não faz um agrado, não abraça mais forte? Melhor um olhar silencioso, porém significativo, do que palavras vazias da verdade.

A quarta coisa seria jogar limpo sempre. A verdade justifica, já dizia minha mãe.

A última coisa seria partir quando já não tivesse mais vontade de ficar. Dói terminar, mas dói infinitamente mais ser enganada, manipulada e desvalorizada. Melhor pôr um ponto final enquanto ainda há afeto, do que minar a relação com sofrimento e desconfiança.

No fim das contas, se eu fosse um homem acho que eu seria... mulher. Será?

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