(Por Caroline Gonçalves)“Você não tem namorado?!” Taí uma frase que eu extinguiria da face da Terra sem dó nem piedade. Pior do que ela, só a expressão de espanto que a acompanha: me sinto como se – do nada – um terceiro olho aparecesse bem no meio da minha testa. Uma verdadeira alienígena sentimental. E, como constrangimento pouco é bobagem, depois da pergunta e da reação super desagradáveis, o sem-mãe ainda fica esperando explicações convincentes, como se eu tivesse acabado de confessar um assassinato, afirmar que não tenho medo de viajar de avião no Brasil, ou qualquer outro absurdo imperdoável.
Eu, assim como todos os outros ETs do sexo feminino, respondo humildemente: “É que ainda não conheci a pessoa certa...”, ou então “Eu to bem sozinha, to numa fase de me curtir...” (com ênfase nas reticências). Digo isso porque a educação primorosa que recebi dos meus pais não me permite dizer o que penso ao traste, que agora me olha com profundo pesar e um ridículo sorrisinho compreensivo.
Agora, chega a me dar um revertério quando falam “Não fica triste não... Na hora certa você conhece alguém”. Não me diga, Sherlock!! Por que as pessoas acham que solteiras precisam ser consoladas? A gente tem cara de infeliz, por acaso? Hein? Por acaso é vergonha uma mulher de 22 anos ser solteira (e não encalhada, que fique bem claro!)? É crime? É pecado capital? É claro que não! Só que depois de tanto “coitada” e “não fica assim”, a gente acaba acreditando que sim, né! É por isso que tem tanta mulher desesperada por aí, suportando uns pouca-porcaria a troco de poder ostentar o título de comprometida. Grande coisa!
É surreal que, em pleno século XXI, a gente ainda ache que mulher só é feliz acompanhada. Afffff... Esse tempo já passou! Tanto quanto o homem, a mulher pode ser solteira, sim, ser independente, sim, ser feliz, sim, e sem nenhum arranhão na auto-estima. Acorda, mulherada! Homem não traz felicidade... mas se alguém souber onde tem algum mais-ou-menos, me avise... É pra lá que eu vou.

